sexta-feira, 24 de julho de 2009

Solos da Serra do Cipó e Suas Fitofisionomias: (4)

Por Elton Valente

Continuação...

Dando continuidade a uma abordagem geral sobre alguns solos da Serra do Cipó e suas fitofisionomias, temos um perfil de solo de uma área sob alagamento, por afloramento do lençol freático, cuja água é de percolação lateral (drenagem interna) proveniente da área do Capão Florestal. Não é água do riacho que margeia a área, este corre sobre um leito rochoso de Quartzito, abaixo do nível do terreno.

Trata-se do último perfil de solo do transecto (Transecto 1), de Campo Rupestre para o Capão Florestal que ocorre sobre solos derivados de Rocha Metapelítica (Filito).

Transecto 1, Perfil 7: Cambissolo Flúvico Tb Distrófico Gleissólico (CYbd)


Cambissolo Flúvico Tb Distrófico Gleissólico (CYbd): trata-se de um terreno pantanoso e hidromórfico, formado por sedimentos de colúvio (material removido das partes mais elevadas do terreno para as partes baixas da encosta), sem influência aluvial (depósitos de rio) marcante. O colúvio é derivado dos solos argilosos de montante e foi depositado sobre uma base rochosa de Quartzito. Abaixo do horizonte B, encontra-se um solo enterrado. Não há no Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS, 2006) uma classe de Cambissolo cujo segundo nível categórico atenda as condições deste perfil. Mesmo sem apresentar influência fluvial (aluvial), o perfil foi classificado como Cambissolo Flúvico Tb Distrófico Gleissólico, neste caso, por ser esta classe a mais próxima das condições observadas. Trata-se de um solo ácido, muito pobre em nutriente, rico em matéria orgânica e apresenta altos teores de alumínio trocável. É argiloso, derivado do intemperismo de Rocha Metapelítica (Filito). Sobre este solo desenvolve-se uma fitofisionomia florestal, que corresponde a Mata de Galeria.

Assim como nos outros ambientes (de cada perfil de solo), o levantamento florístico foi realizado em um espaço de 800 m2 de área efetiva. Aqui foram amostrados 239 indivíduos. Destes, nesta área, a espécie Trembleya parviflora (família Melastomataceae) corresponde a 39% do total de indivíduos amostrados, a espécie Drimys brasiliensis (Winteraceae) corresponde a 26% do total e Richeria grandis (Euphorbiaceae) com 11%. Portanto, estas três espécies sozinhas participaram com 76% dos indivíduos amostrados.

São espécies comuns neste ambiente: Tapirira obtusa (família Anacardiaceae); Hedyosmum brasiliensis (Chlorantaceae); Richeria grandis (Euphorbiaceae); Talauma ovata (Magnoliaceae); Trembleya parviflora (Melastomataceae); Myrsine ferruginea e M. umbellata (Myrsinaceae); Euterpe edulis – palmito-juçara (Palmae); Posoqueria latifolia (Rubiaceae); Drimys brasiliensis (Winteraceae); entre outras. Com destaque para Drimys brasiliensis e Talauma ovata, que são espécies típicas de áreas alagadas, nas matas de altitude do Neotrópico.

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Para citação:

VALENTE, E. L., 2009. Relações solo-vegetação no Parque Nacional da Serra do Cipó, Espinhaço Meridional, Minas Gerais. Viçosa: UFV, 2009, xvii, 138p.: il. Tese (Doutorado em Solos e Nutrição de Plantas).

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